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Combate a Depressão sem Remédios
Pesquisas revelam que a atividade física e a terapia que usa estimulação magnética do cérebro são eficazes contra a doença.
Há uma regra na medicina segundo a qual quanto menos remédio for necessário para tratar uma doença, melhor. Na última semana, foram divulgadas duas boas notícias nesse sentido no que diz respeito à depressão, doença que atinge cerca de 121 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde. A primeira foi o anúncio do resultado de um grande estudo que comprovou a eficácia da estimulação magnética transcraniana (EMT) no controle da enfermidade. A técnica usa ondas magnéticas para estimular o cérebro a reagir contra o mal. A outra novidade é uma pesquisa mostrando que a atividade física também pode promover um efeito antidepressivo significativo.
No Brasil, a experiência do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo com a técnica aponta no mesmo sentido.
"Ela pode ser indicada quando o doente não responde à medicação ou sofre com os efeitos colaterais", explica o psiquiatra Marco Antonio Marcolin, um dos estudiosos brasileiros mais entendidos no tema. Entre os efeitos colaterais estão a ansiedade e alteração de peso. Outra indicação é nas situações nas quais o paciente passa por uma crise muito séria. Em um trabalho conduzido pelo grupo de Marcolin, ficou demonstrado que, nessas situações, o método dá uma ajuda fenomenal quando associado a uma medicação. Normalmente, os antidepressivos levam de três a oito semanas para produzir os primeiros sinais de melhora. Quando a EMT foi adicionada, os doentes reagiram logo nos primeiros sete dias.
O trabalho que revela o efeito antidepressivo da atividade física - e aponta uma possível explicação para esse benefício - foi publicado na revista Nature, uma das mais importantes do mundo. Realizada na Universidade de Yale (EUA), a pesquisa demonstrou, em animais, que o exercício estimula a atividade de genes associados à produção de substâncias conhecidas como fator de crescimento neural (VGF, da sigla em inglês). São proteínas importantes para o desenvolvimento e manutenção do bom funcionamento de neurônios.
Perigosa Relação entre Depressão e Diabetes
Depressão e diabete são duas doenças graves. Quando ocorrem simultaneamente, podem significar um desastre. Em geral, o diabético portador de depressão deixa de tomar os cuidados necessários, o que agrava sua situação. Mas um trabalho realizado pela Universidade da Pensilvânia (EUA) com 123 pacientes com diabete e depressão mostra que é possível evitar problemas. Os doentes que receberam atenção intensiva para as duas doenças tiveram menor risco de morte do que aqueles que não contaram com o apoio contra a depressão. "O controle da doença ajuda o paciente a cuidar da diabete", afirma Hillary Bogner, coordenadora do estudo.
Fonte: http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/1990/artigo68748-1.htm