Dirigir com Sono pode causar sérios Problemas

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No corpo humano, o ciclo vigília-sono apresenta dois períodos em que a pressão para dormir é maior. O principal é entre duas e quatro da manhã, e o outro, entre o início e o meio da tarde. A maioria das pessoas atribui o sono que sente à tarde à quantidade de comida no almoço. Mas o verdadeiro culpado é nosso relógio biológico.

“Quando uma pessoa está sonolenta, a capacidade de concentração diminui muito”, afirma o neurologista Geraldo Rizzo, do Sonolab – Laboratório do Sono de Porto Alegre (RS). “Nesse estado, o motorista superestima sua capacidade. Acha que consegue chegar ao destino e vai empurrando com a barriga. Mas a única solução é parar de dirigir imediatamente e dormir.”

Não “engane” seu corpo
Outro estudo publicado pela Abramet revela que não há saída segura para o motorista que queira ficar acordado quando o sono chega. “Café, chá preto e refrigerantes com cafeína podem auxiliá-lo a se sentir mais desperto, mas os efeitos duram pouco. E a pessoa ainda pode ser suscetível aos microssonos – breves cochilos que duram de um a cinco segundos.”

Outro estudo, esse da Confederação Nacional do Transporte (CNT), atesta: dormir ao volante é responsável por cerca de 30% dos acidentes, principalmente em condições monótonas (grandes retas e longas distâncias).

Dormir é fundamental
Uma pesquisa do Congresso Brasileiro do Sono estimou que 56% da população brasileira não dorme o suficiente para desempenhar as atividades de forma adequada. Apenas no Rio Grande do Sul, um estudo constatou que um em cada cinco motoristas apontou a sonolência como responsável por acidentes de trânsito que havia sofrido. Já em um estudo da Unifesp, de 2001, com motoristas de ônibus, 16% dos entrevistados admitiram já terem dormido ao volante. E 58% disseram conhecer colegas que também já cochilaram.

“O século 20 deixou como herança o fim de hábitos como a sesta, e luzes e estímulos novos surgiram, entre os quais a Internet, o que aumentou a duração do dia e das jornadas de trabalho”, explica Pedro Felipe Carvalhedo de Bruin, vice-presidente da Sociedade Brasileira do Sono. “As pessoas já começam a acumular um débito de sono na segunda-feira que se estende até a sexta, à qual já chegam extenuadas. O desempenho, o humor, a concentração e o raciocínio vão piorando”, alerta.

Nossa tendência é acreditar que, dormindo menos, produziremos mais e aproveitaremos melhor a vida. Mas os especialistas concordam: o sono adequado é que vai garantir a qualidade do nosso tempo acordado.

A maioria dos adultos precisa de oito a nove horas de sono por dia. Sem esse descanso, executar tarefas em estado de alerta se torna quase impossível. O neuropsicólogo paranaense Plínio Marco de Toni e seus alunos da Universidade Tuiuti entrevistaram 105 trabalhadores noturnos em dois momentos: quando eles estavam sob privação de sono e depois, em condições normais. “A diferença na atenção seletiva, a que precisamos para compreender, selecionar e reagir aos estímulos do ambiente, era gritante. A conclusão é que o desempenho profissional, ou mesmo a capacidade de reagir a um sinal vermelho no trânsito, é radicalmente menor quando há falta de sono.”

Quem corre perigo
Qualquer pessoa pode ser vítima do cansaço, mas algumas correm risco maior de sofrer um acidente:

Quem trabalha demais Trabalhar mais de 60 horas por semana aumenta em 40% o risco de acidentes no trânsito.

Trabalhadores noturnos No Brasil, pesquisadores advertem que os distúrbios do sono atingem de 60% a 80% das pessoas que trabalham em regime de turnos. Os trabalhadores noturnos são os mais afetados: até 90% deles sofrem de sonolência. E quanto mais tarde da noite trabalham, maior o risco.

Jovens “Muitos acidentes de madrugada acontecem não só por causa do álcool, mas da sonolência”, alerta Sueli Rossini, do Grupo de Pesquisa Avançada em Medicina do Sono do Hospital das Clínicas de São Paulo. “A Internet, segundo pesquisas recentes, tem levado a uma forte diminuição das horas dormidas pelos jovens.”

Homens Assim como as mulheres são mais propensas à insônia, a apnéia (distúrbio respiratório que interrompe a entrada de ar nos pulmões durante o sono e provoca sonolência diurna) atinge três vezes mais os homens.

Pessoas com distúrbios do sono Mais de 50 milhões de brasileiros sofrem de distúrbios do sono, como apnéia, narcolepsia, síndrome das pernas inquietas e insônia. E não há no país, como nos Estados Unidos e na Inglaterra, por exemplo, restrições para que essas pessoas dirijam.

Negando a realidade
O Instituto de Transportes da Universidade Virginia Tech (VTTI), nos estados Unidos, conduziu um estudo para determinar o impacto da falta de atenção nos motoristas. Pesquisadores instalaram câmeras em 100 carros de Washington e observaram os motoristas ao longo de um ano. Mas não estavam preparados para o que descobriram: dirigir com sono é um fator que contribuiu em 22% a 24% dos acidentes e quase-acidentes monitorados. E alguns motoristas nem perceberam que haviam adormecido ao volante até serem avisados pelos pesquisadores.

O policial rodoviário Adriano Frasson, que trabalhou por muito tempo na rodovia que liga Curitiba ao litoral paranaense, viu muitos motoristas com a habilidade prejudicada pelo cansaço. “Passavam por esse trecho famílias simples, vindas do oeste do estado, para aproveitar um feriado, e o motorista, sem o costume de tantas horas de viagem, dava cabeçadas de sono.” Em geral, um adulto dirige enquanto a família toda dorme. “E as crianças no banco de trás tiram o cinto de segurança para se acomodar melhor”, acrescenta Frasson. Se o motorista cochila, vai saindo devagar da estrada até que um obstáculo o desperta. No susto, vira o volante abruptamente e capota.

Você dorme ao volante?

Dirigir com sono é muito arriscado. O neurologista Geraldo Rizzo, diretor do Sonolab – Laboratório do Sono de Porto Alegre, alerta:
Quando se está muito cansado para dirigir
• Você não pára de bocejar.
• Você se sente irritável.
• Sua mente perde a capacidade de concentração; os pensamentos ficam desconexos.
• Você perde a capacidade de entender o que significam os sinais de trânsito.
• A memória falha; você não se lembra dos últimos quilômetros.
• Você não avalia bem sua capacidade de seguir em frente.

Para manter-se alerta ao dirigir:
• Não tente dirigir por um período longo demais.
• Evite álcool ou qualquer medicamento com efeito sedativo quando tiver de pegar a estrada.
• Planeje viajar com alguém que fique acordado ao seu lado; faça paradas a cada 2 horas.
• Fique longe dos remédios estimulantes. Eles não são seguros e prejudicam a saúde.

Pesquisas sugerem que as estratégias que os motoristas usam para ficar acordados – abrir a janela, ligar o rádio, parar para esticar as pernas – têm eficácia limitada. Se você começar a sentir sono enquanto dirige, pare e tire um cochilo de 30 minutos.

Bêbado ou com sono?
É difícil distinguir um motorista bêbado de um motorista com sono. Os sinais mais comuns de um motorista com privação do sono incluem:
• Não dirigir em linha reta
• Alternar muito a velocidade
• “Colar” no carro da frente
• Dar cabeçadas

Se você vir alguém dirigindo nessas condições, mantenha distância do carro e chame a polícia rodoviária.
Sua atitude pode salvar vidas.

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