JOVENS DE HOJE TOMAM MENOS SOL

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Um estudo desenvolvido pela USP aponta que apesar de o Brasil ser um país com grande incidência de luz solar, os adolescentes podem não estar se expondo o suficiente para sintetizar a vitamina D na quantidade necessária para o organismo

Lucas Fernandes, de 19 anos, tem o costume de amanhecer no computador. Fica até umas cinco da manhã na internet e só então vai dormir. Acorda todos os dias entre 11h30 e 12h. Pula, portanto, o café-da-manhã e já parte para o almoço. Em seguida, sai para trabalhar e só volta à noite. O mesmo acontece com Bianca Moreira, de 18 anos. Ela conta que fica até umas quatro da manhã no computador e depois acorda ao meio-dia. “Acordo e já almoço. Trabalho no período da tarde e só volto à noite para casa. Se eu pudesse, voltava ao horário normal, mas a gente acostuma…”, diz. Por conta dessa inversão de horários, Lucas e Bianca são exemplo do que os jovens de hoje têm feito muito pouco: tomar sol, necessário para sintetizar a vitamina D.

Reconhecida pela absorção de cálcio, importante para o desenvolvimento dos ossos e dentes, hoje em dia já se sabe que além dessa função, a vitamina D exerce outras: atua na modulação do sistema imune, na diferenciação celular, na regulação do metabolismo lipídico (de gorduras) e na secreção de insulina. Por tudo isso, ajuda na prevenção de doenças crônicas como o diabetes, hipertensão, obesidade e alguns tipos de câncer.

Um estudo desenvolvido pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP no município de Indaiatuba, interior de São Paulo, aponta que apesar de o Brasil ser um país com grande incidência de luz solar, os adolescentes podem não estar se expondo o suficiente para sintetizar a vitamina D na quantidade necessária para o organismo. Vale lembrar que cerca de 90% da absorção da vitamina D se dá pela exposição ao sol e outros 10% pela ingestão de alimentos. Com apenas dez minutos de exposição diária ao sol, que deve ser feita deve ser feita no começo da manhã e no fim da tarde, já se atinge o nível necessário da vitamina.

A pesquisa avaliou a quantidade de vitamina D em 136 adolescentes da cidade e constatou que 62% deles tinham insuficiência. “Foi uma grande surpresa esse resultado, mas ele diz respeito àquele grupo de adolescentes, não pode ser generalizado”, esclarece a nutricionista responsável pela tese de doutorado “Prevalência de Insuficiência de Vitamina D em Adolescentes Saudáveis”, Bárbara Santarosa Emo Peters.

Conforme Bárbara, nenhum dos jovens avaliados ingeria a quantidade recomendada da vitamina, que pode ser obtida também em alimentos como salmão, sardinha, leite e derivados (somente os integrais). Ela percebeu, nas entrevistas com os adolescentes, que muitos deles não tomavam café-da-manhã para poderem dormir um pouco mais antes de irem à escola. “Quem tomava café-da-manhã todo o dia ingeria quase o dobro de vitamina D do que quem não tomava. É preciso estimular os jovens a não pularem essa refeição”, observa a nutricionista. Além disso, ela considera que é importante serem produzidos mais alimentos fortificados com a vitamina. “Os poucos que existem hoje no Brasil são caros”, explica.

O estudo de Bárbara já ganhou dois prêmios: Melhor Tema Livre na área Clínica durante o 8º Congresso Iberoamericano de Osteología y Metabolismo Mineral da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia; e o Young Investigator Award, do The American Society for Bone and Mineral Research.

Eduardo Luís Cruells Vieira, médico sorocabano especialista em ortopedia, afirma que a falta de vitamina D pode causar sérias consequências ao organismo, entre elas, graves alterações ósseas.

Já a endocrinologista Maria Helena Senger afirma que a falta de vitamina D, causada pelo fato de não tomar sol, tem afetado também os idosos. “Apesar de sermos um país ensolarado, por uma série de razões a gente está se expondo menos ao sol. As pessoas não têm tomado sol no horário que é preciso e isso tem causado a diminuição da parte óssea, que não tem atingido sua fase máxima. As mulheres, principalmente, têm de prestar atenção nisso porque com a idade há a diminuição do hormônio feminino e uma maior perda de massa óssea. Também os jovens que ficam mais tempo no computador e trocam o dia pela noite e devem ficar atentos. Todos deveriam expor pelo menos uma parte do corpo ao sol, nem é preciso o corpo todo, basta um braço para fora da janela”, esclarece a médica.

(Com informações da Agência USP, por Beatriz Flausino)]

Daniela Jacinto/Jornal Cruzeiro do Sul
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